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Enquanto Brasil discute fim da escala 6x1, Argentina vai na contramão do mundo com reforma que retira direitos e permite jornada de até 12 horas por dia
Sob Milei, trabalhadores argentinos sofrem com desemprego e perda de direitos
Edição: 538
Data da Publicação: 25/09/2026
Da
noite para o dia, os trabalhadores argentinos acordaram em pesadelo. A Reforma
Trabalhista prometida pelo presidente Javier Milei foi enfim aprovada para
felicidade dos patrões e desespero dos empregados.
Entre
as mudanças, estão aumento da jornada de trabalho de 8 para 12 horas, fim dos
30 dias seguidos de férias; limitação do direito de greve; redução da
indenização por demissão sem justa causa e a possibilidade da empresa pagar o
salário do trabalhador em forma de comida.
Os trabalhadores perdem
proteção
Ao
reduzir direitos e enfraquecer os sindicatos, os trabalhadores perdem proteção,
estabilidade e renda. O caso argentino é semelhante ao que vem acontecendo no
Brasil desde a reforma trabalhista do empresário e ex-presidente Michel Temer.
O pacote de maldades sendo embrulhado em uma linda embalagem com promessas de
modernização das relações de trabalho e geração de emprego e renda.
Na prática, o que foi
aprovado?
Acordos
informais, ainda que ilegais e imorais passaram a valer acima da lei. Os
políticos chamaram isso de "Livre Negociação", ou seja, a empresa é
livre para explorar e o empregado é livre para aceitar ou morrer de fome. É
pegar ou largar.
A
economia argentina encolheu no segundo trimestre de 2026, em comparação com o
trimestre anterior, o desemprego subiu para 7,9% e a informalidade no mercado
de trabalho bateu recorde de 45%. Entre junho de 2025 e junho de 2026, foram
eliminados 121 mil empregos formais assalariados no setor privado, mais 30,5
mil no setor público, e a indústria sozinha perdeu 51,8 mil vagas formais no
período. Quase 6 milhões de argentinos estão inadimplentes, o equivalente a
13,6% da população, e os dados de pobreza do primeiro semestre só saem no dia
24 de setembro. A inflação, vale registrar, segue rodando entre 32% e 33% em
termos anuais: caiu de patamar hiperinflacionário para patamar simplesmente
alto. Vale lembrar que a Argentina é o maior devedor do Fundo Monetário
Internacional (FMI).
No Brasil
Em
2017, na semana que a reforma trabalhista do presidente Temer foi aprovada, os
bancos Bradesco e CEF fizeram demissão em massa. Na época, a Caixa informou que
a meta era alcançar 10 mil empregados a serem mandados embora. Ambos os bancos
abriram programas de demissão voluntária na mesma semana em que a reforma
trabalhista foi sancionada por Temer. Pela nova legislação, funcionários que
aderirem a programas assim não poderão reivindicar direitos depois e a empresa,
por sua vez, poderá recontratar, depois de um tempo, como terceirizado. Um
funcionário do Bradesco que não quis se identificar disse que o banco ofereceu
recontratar o funcionário 120 dias após a demissão.
Em que país o brasileiro
vai querer viver?
Se
para os trabalhadores argentinos o país está mergulhando em uma noite escura e
longa, para nós brasileiros a reforma trabalhista da Argentina chegou em boa
hora. Em 30 dias, teremos o final do segundo turno das eleições presidenciais, e
cada trabalhador terá a chance de escolher em que país quer viver, se na
Argentina do presidente Milei ou no Brasil de Lula. Nunca foi tão didático e
fácil escolher, o problema é que muitos trabalhadores não têm consciência de
classe, não sabem onde estão inseridos na sociedade. Muitos votam no patrão e
depois se arrependem, mas aí é tarde, o negócio será aguentar o arrocho.